Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Quem tem medo da concorrência?

Francisco Balsemão, presidente da Impresa, voltou a criticar a privatização da RTP, dizendo que vai contribuir para que os operadores privados tenham uma queda potencial de receitas de 60%.

Se a ideia não é acabarem connosco, operadores independentes, parece. Se é acabar connosco arrisca-se a ser eficaz” (...) “é o funcionamento da democracia que está em causa” (...)[e o que se vai passar pode] “acabar com o jornalismo livre e independente e limitar o seu exercício

Empresas incapazes de operar num mercado livre, de enfrentar a concorrência, de criar riqueza e mais valias, de se pautarem pela eficiência e pela criação de valor... estão cá a fazer o quê?

Por momentos pensei que fosse reacção a uma qualquer nacionalização. Pensando melhor, talvez seja antes um suspirar por uma...

Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

O esgotamento dos modos antigos (e não apenas...)

Em muitos anos de convívio com a vida política tenho a presunção de acreditar que a ideia de mudança parece ser, de facto e pela primeira vez, uma IDEIA.

"Chegou ao fim um certo tipo de governação", disse o novo Primeiro-Ministro. E poderia prosseguido a dizer que um novo ciclo se iniciaria, que as coisas iam ser diferentes, que iriam mudar ou que a partir de agora se iniciava um novo ciclo político com outra atitude. E poderia ter dito umas quantas outras coisas a que nos habituámos a escutar nestas ocasiões e que consagrariam uma mudança de forma com a manutenção dos conteúdos. Mas não disse e ainda bem que o não fez.

Antes prosseguiu afirmando que chegou ao fim "um certo entendimento da relação entre o Estado e a Sociedade." Esta esclarecida afirmação anuncia que uma ideia, um conteúdo - e não meramente uma forma - se esgotou.

A afirmação de mudança que deixámos que se enraizasse na sociedade ocidental, principalmente (mas não só) no que diz respeito a alternâncias governativas, tornou-se num desejo de que as coisas melhorassem sem que de facto estivéssemos disponíveis enquanto sociedade para mudar verdadeiramente as coisas. Assim, por longos anos as sociedades ocidentais se foram contentando em mudar de interlocutores, de rótulos, de bandeiras ou de partidos políticos sem que quisessem de facto mudar a sua visão da vida.

Desta vez pode ser diferente. Um pensamento, uma ideia e uma estrutura sucumbiram ao teste da realidade. Uma realidade tornada mais evidente ao olho comum pela crise e que nos torna mais conscientes da verdadeira dimensão das mudanças necessárias. Mudar o interlocutado e não apenas o interlocutor; mudar a estrutura e não apenas a conjuntura; mudar o conteúdo e não apenas a forma. Disse, esse novo Primeiro-Ministro, que "A crise que hoje atravessamos mostrou o esgotamento dos modos antigos". "Antigos" e não "anteriores".

Não se fecha um ciclo de seis anos, nem de dez, nem tão pouco de vinte ou trinta. Muito mais do que os modos anteriores - ou do(s) governo(s) anterior(es) - são os "modos antigos", usados para implementar ideias antigas, falhadas, e sem sustentação real e moral possível, que urge eliminar. Digo eliminar e não alterar, pois uma alteração de consciências apenas pode ser operada por cada um de nós. Não cabe a nenhum governo operar nem conduzir essa alteração. Cabe-lhe, isso sim, abrir caminho e destruir as barreiras que se foram criando ao longo de muitas décadas sob o eufemismo de "protecções". É necessário "formatar o disco" para que cada indivíduo possa perceber a mudança que tem de operar em si mesmo. Só em campo aberto, com jogo limpo, sem interferências ou favorecimentos artificiais é que cada um de nós poderá ajuizar da mudança, mudar livremente e colher consequentemente o produto desse processo individual. Tem de ser este o novo relacionamento entre o Estado e a Sociedade.

Gostei. Deu-me alento. Em muitos anos de convívio com a vida política tenho a presunção de acreditar que a ideia de mudança parece ser, de facto e pela primeira vez, uma IDEIA.

É preciso no entanto evitar o maior obstáculo que se nos depara neste caminho: não deixar que uma IDEIA se transforme , como nos "tempos antigos", em idealismo. Para Aristóteles as ideias provêm duma experiência sensorial entre o indivíduo e a realidade. Uma ideia apenas pode ser formada pela interpretação da mente do indivíduo dos fenómenos que observa e verifica. Uma ideia deve constituir uma assimilação do saber e nunca a sua projecção. Não há duas mentes iguais, logo não pode haver ideias universais. Este princípio levar-nos-á ao REALISMO, em oposição ao idealismo platónico. A filosofia política é, neste contexto, essencial.

Precisamos de esclarecer muitas almas (como as 200 mil que hoje se manifestavam frente ao parlamento da Grécia) que só nos emprestam dinheiro se explicarmos como vamos pagar. Que ou arranjamos forma de pagar o que já devemos e o que ainda vamos pedir, ou ninguém nos empresta coisa nenhuma. Que se não pagarmos o que devemos, ou se não cumprirmos o que acordámos, ninguém nos empresta coisa alguma. Que só vale a pena chantagear um credor se formos auto suficientes para o dispensar. Que cada um de nós tem uma decisão pessoal e intransmissível a tomar: ser parte da solução, ou ser parte do problema; ser elemento criador, ou rufia destruidor; ser Homem ou simplesmente não O ser.

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Dia D: O início da Solução

“O que é que se passa connosco? Os agricultores queixam-se, os industriais queixam-se, todo o mundo se queixa e eu pergunto-me: porque não olham para dentro e fazem eles próprios o trabalho que têm de fazer?” Alexandre Soares dos Santos

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

De crianças mimadas a homens grotescos: um produto do estado social

A ligação entre a Razão e o Pão é umbilical. Ao contrário do que quiseram estabelecer como convencional, não é a falta de Pão que leva à perda da Razão. Ao invés, é apenas através de atitudes racionais que se pode assegurar a subsistência a longo prazo.

O descalabro social a que assistimos, hoje em Londres, ontem em Atenas e amanhã um pouco por toda a parte, constitui a manifestação exterior de algo profundamente intrínseco ao homem contemporâneo: irracionalidade.

Nada mais natural para gerações que nasceram em "sociedades solidárias", com mecanismos de "protecção social" e "desenvolvimento sustentado", e que nunca vislumbraram sequer a necessidade de pensar ou tentar compreender como seria possível que milhões de seres vivos, em teoria inteligentes, aceitassem como valor de justiça suprema a "partilha pelo confisco".

Facto é que todos nós, em maior ou menor grau, reconhecemos ao nível familiar a necessidade de educar os nossos filhos para a adversidade, para o valorizar do esforço e a nobreza do mérito. Ainda que esteja já em fase de decadência, este é um traço que é ainda visível na génese do indivíduo de bom carácter, e aspecto considerado imprescindível de uma boa educação: obter por mérito, e não por favorecimento; adquirir pelo trabalho, e não pelo saque; valorizar a troca, e repudiar a esmola. Ser sério passa por não enganar o vizinho, ser honrado passa por retribuir o que se recebe - afinal, a essência do livre comércio.

Curioso como, em matilha social, o homem se transforma. Agrupados em gangs de variadíssima ordem - usualmente de cariz profissional, geográfico ou patrimonial - não hesitam em materializar os seus caprichos mais básicos. Caprichos, e não ambições. Uma ambição é legítima, desde que de forma racional, se conceba uma estratégia de se obter honradamente o que se ambiciona. Um capricho é próprio daquelas crianças mimadas, cuja família nunca soube transmitir a necessidade dum esforço de construção para aquisição de algo. Tudo é adquirido, não importa como nem quem o torna possível.

É fantástico como muitas famílias (ainda que por maioria de razão cada vez menos) sejam capazes de repreender e chamar a atenção dos seus membros mais pueris para a necessidade de valorizar o esforço de quem põe o Pão na mesa para, no ãmbito social, representarem a mesma infantilidade caprichosa perante os seus supostos iguais.

Em grupos profissionais, regionais, políticos, religiosos, económicos, étnicos ou qualquer outro expediente que o momento possa ditar, lançam-se na busca própria duma sociedade canibal que ousou instituir direitos adquiridos como base moral. Adquiridos a quem? Não interessa. Para quem? Para quem falar mais alto, ou para quem tiver mais força.

A inflação dos direitos, cujo único resultado possível é a alienação de todos e quaisquer direitos, é também a inflação da irracionalidade animalesca a que assistimos. Passamos, duma escala familiar com criancinhas mimadas, a uma escala de estado social global que só produz formas de vida acéfala com fortes instintos animalescos. Esta sociedade selvagem é, apenas e só, o produto acabado que andámos a produzir desde os finais do séc. XIX. É, afinal, o que merecemos.

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010