"Caritas in Veritate" ou, em tradução leiga "caridade em verdade", é um título espectável para uma encíclica mas cujo resumo disponível no público se encarrega de rapidamente atraiçoar.
Uma encíclica não é propriamente um post num blog qualquer, e o seu autor não é igualmente um autor qualquer. É pessoa informada, ou pelo menos com a obrigação de se informar, e é alegadamente, ou pelo menos deve aspirar a sê-lo, autor de inspiração. O que alguém como eu espera de um autor como Bento XVI é antecipação, liderança, inspiração. Ao proclamar a necessidade urgente duma "autoridade política mundial", Bento XVI emana conformismo, alinhamento e confirmação.
Os apelos, iniciativas e declarações tendentes à harmonização social desta ideia não são novos. Líderes políticos mundiais introduziram esta discussão em simultâneo com o cenário de uma nova divisa de reserva mundial, para substituir as ilusões criadas no último século e que inevitavelmente faliram. A marca do séc. XX foi uma "Caritas vis quod in infidus", que não foi mais que a primeira causa e argumento para a crise que agora vivemos.
Já é pena que Bento XVI não antecipe, não lidere nem inspire; pelo menos na matéria que mais interessa neste "momentum global". E lamento profundamente a auto-redução a um papel conformador, alinhante e sancionatório, perante soluções cujo resultado visa apenas a manutenção do "Status Quo" e duma "caridade forçada e em mentira".
Bem sei das boas intenções com que o documento é feito, e o carácter benigno que tal entidade deverá ter segundo o mesmo. Mas uma leitura á luz desses argumentos tem necessáriamente uma de duas falhas: erro de antecipação ou blasfémia.
Basta olhar para a situação em que estamos e analisar seriamente o percurso que fizémos ao longo do século passado para concluir que tais entidades nunca terão esse tal carácter benigno. É irracional pensar que a solução dum problema passa pelo reforço dos poderes de quem o provocou. Esta ideia só seria viável se a igreja já tivesse concluido a sua missão no mundo: a de evangelizar todos os homens. Nesse caso, e mesmo discordando moralmente da forma, era aceitável considerar que ela contribuísse para uma "Caridade em Verdade" ainda que pela via da força. Mas Bento XVI tem obrigação de saber que tal missão está longe de ser cumprida. Ao defender uma solução à luz deste príncipio estariamos perante um erro de antecipação.
Só resta a (quase) blasfémia. Uma solução deste género implica muita fé na bondade humana. Pior ainda, muita fé na bondade de homens com poder! Deus é Deus e os homens são isso mesmo: humanos. Não me parece que colocar os homens no papel de Deus seja uma intenção do chefe da Igreja Católica.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Pobres, Fracos, Estúpidos e Vigaristas
O estado decide, conclui, declara o que somos ou o que não somos, e até se dá ao luxo de sancionar, desde que a "taxa de sancionamento" seja devidamente paga.
Está estabelecido que os pobres (assim declarados por édito estatal) não podem ter filhos e, se os tiverem, estes ser-lhes-ão retirados sem apelo nem agravo. Foi o que aconteceu à mãe do Martim, declarada "sem recursos" segundo os critérios estatais, a quem roubaram o filho em plena maternidade.
Declarou-se ainda que os menores de 18 anos não se podem manifestar. A mesma mãe a quem foi roubado um filho foi agora, sob forte coação estatal, impedida de lutar pela recuperação da criança. Valeu-lhe a solidariedade da sua mãe e avó da criança.
Também aos menores, a participação em determinados espectáculos está condicionada à prévia aprovação estatal. Assim aconteceu com Michelito Lagravere que cometeu 2 erros: ter recorrido a um pediatra em vez de um médico do trabalho (neste país até o trabalho fica doente e a precisar de médico!), e não ter decidido antes participar numa novela portuguesa. Não consta que as CPCJ's deste país tenham igual índice de produtividade na execução do seu efectivo mandato: a prevenção de crimes contra as crianças e a protecção e defesa efectiva das mesmas.
Atesta-se ainda, através dos títulares do monopolio representativo estatal, que todo o eleitor é estúpido e, por consequência, não consegue distinguir entre legislativas e autárquicas. Todos os partidos, à excepção do PSD, defendem eleições em separado (PS, PCP, BE, CDS e os melancias - verdes por fora mas vermelhos por dentro). Mesmo a honrosa excepção do PSD se perde num discurso pouco claro e diluído. Provavelmente a medida tende a evitar que aconteça com os subsidios partidários o mesmo que aconteceu com os fundos europeus que não foram utilizados: convém gastar o produto do saque antes que este gere as típicas invejas portuguesas.
Ainda houve tempo para estabelecer a declaração do contibuinte como vigarista até prova em contrário, invertendo o ónus da prova para o que foi e vier a ser estabelecido de "enriquecimento ilícito"; e espoliando a vida, o património e a privacidade de cada um. Como ainda não foi re-declarado o dicionário de Português, ilícito significa ilegal. O ilegal não se taxa, confisca-se! Mas como além de declarar o estado também sanciona, temos agora um novo tipo de vigarista que, sócio do estado, goza de um enquadramento legal previlegiado.
E assim foram os Portugueses declarados por quem os governa. Um triste dia para viver em Portugal. Pior hoje, só mesmo viver em Portugal e ser Benfiquista. No Benfica esteve quase e, apesar de não ter ainda acontecido, a mudança de paradigma ficou para breve. Infelizmente na governação não é espectável que o mesmo aconteça.
Está estabelecido que os pobres (assim declarados por édito estatal) não podem ter filhos e, se os tiverem, estes ser-lhes-ão retirados sem apelo nem agravo. Foi o que aconteceu à mãe do Martim, declarada "sem recursos" segundo os critérios estatais, a quem roubaram o filho em plena maternidade.
Declarou-se ainda que os menores de 18 anos não se podem manifestar. A mesma mãe a quem foi roubado um filho foi agora, sob forte coação estatal, impedida de lutar pela recuperação da criança. Valeu-lhe a solidariedade da sua mãe e avó da criança.
Também aos menores, a participação em determinados espectáculos está condicionada à prévia aprovação estatal. Assim aconteceu com Michelito Lagravere que cometeu 2 erros: ter recorrido a um pediatra em vez de um médico do trabalho (neste país até o trabalho fica doente e a precisar de médico!), e não ter decidido antes participar numa novela portuguesa. Não consta que as CPCJ's deste país tenham igual índice de produtividade na execução do seu efectivo mandato: a prevenção de crimes contra as crianças e a protecção e defesa efectiva das mesmas.
Atesta-se ainda, através dos títulares do monopolio representativo estatal, que todo o eleitor é estúpido e, por consequência, não consegue distinguir entre legislativas e autárquicas. Todos os partidos, à excepção do PSD, defendem eleições em separado (PS, PCP, BE, CDS e os melancias - verdes por fora mas vermelhos por dentro). Mesmo a honrosa excepção do PSD se perde num discurso pouco claro e diluído. Provavelmente a medida tende a evitar que aconteça com os subsidios partidários o mesmo que aconteceu com os fundos europeus que não foram utilizados: convém gastar o produto do saque antes que este gere as típicas invejas portuguesas.
Ainda houve tempo para estabelecer a declaração do contibuinte como vigarista até prova em contrário, invertendo o ónus da prova para o que foi e vier a ser estabelecido de "enriquecimento ilícito"; e espoliando a vida, o património e a privacidade de cada um. Como ainda não foi re-declarado o dicionário de Português, ilícito significa ilegal. O ilegal não se taxa, confisca-se! Mas como além de declarar o estado também sanciona, temos agora um novo tipo de vigarista que, sócio do estado, goza de um enquadramento legal previlegiado.
E assim foram os Portugueses declarados por quem os governa. Um triste dia para viver em Portugal. Pior hoje, só mesmo viver em Portugal e ser Benfiquista. No Benfica esteve quase e, apesar de não ter ainda acontecido, a mudança de paradigma ficou para breve. Infelizmente na governação não é espectável que o mesmo aconteça.
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