quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Descubra as diferenças

Deixar de ganhar parece ter passado a ser sinónimo de perder. Uma contradição que importa desmontar.

O conceito de ganhar implica mérito do agente ganhador. Mérito de, no mínimo, agir em seu proveito e na defesa do seu interesse próprio.

Para haver uma perda é imperativo que haja posse. Ninguém perde o que não ganhou e muito menos se perde o que não é nosso.

Quem pratica ou tolera esta metamorfose conceptual só se pode basear na crença de um sistema fiscal dotado de direitos naturais ou divinos. São os adeptos da religião "estado".

A não ser que o título do CM "Fisco perde 8 milhões com Veiga" se refira à perda de uma oportunidade de obter propriedade alheia e a notícia denuncie a acção como expropriativa, o conceito está descontextualizado.

Exceptuando as situações de competição, raramente "não ganhar" e "perder" são a mesma coisa... Enfim, facilitismos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Abertas as licitações

Já vai em duzentos euros per capita o leilão para as legislativas deste ano. Ainda distante dos valores que certamente atingiram os frigoríficos do major em Gondomar há uns anos atrás.

As campanhas e eleições são o reflexo da própria democracia. O que a actual democracia produz neste momento é mesmo um "leilão eleitoral", estando a campanha focada nas licitações sob o lema "quem dá mais".

Não é dinheiro atribuido a quem vote no PS, nem aos pais que optem por ter mais filhos. Será apenas e só para o novo membro desta tribo-nação que vier a nascer. Dinheiro que será disponibilizado ao "proprietário" no seu 18º aniversário, apesar de ser retirado a quem o tem e produz desde já.

Nem perdendo muito tempo com a velha questão dos políticos em Portugal apenas se preocuparem com o destino dos recursos, ignorando por completo a respectiva origem, vale a pena constatar uma vez mais o carácter leviano e apressado com que supostas decisões de estado são tomadas, de forma semelhante a uma ida à casa de banho.

Algumas perguntas saltam desde logo à mente: porquê duzentos e não trezentos ou quinhemtos? Porque não atribuir as verbas sob a forma de subsidio de natalidade aos pais? Que vantagens trará esta forma de "poupança cativa a 18 anos"?

Entretanto, nesses 18 anos, enquanto os papás consomem mais recursos e pagam mais impostos para criar estes neo-aforradores, a quem servem essas poupanças feitas com dinheiro arrancado a terceiros?

Posso calcular que, com a dificuldade em manter rácios de solvabilidade, fazer boa figura em stress-tests e aumentar as taxas "tier one", os bancos vejam com muitos bom olhos uma medida deste género. Assim à priori serão activos garantidos por 18 anos pois estou em crer que, face à natureza da operação, nenhum destes neo-aforradores ou das suas famílias terão direito a resgatar a verba durante esse periodo.

Voilá, numa acentada arremata-se uma oferta pelos votos, apela-se à natalidade e cria-se uma fonte de capitalização para o sistema bancário que tanto precisa.

Por este andar, pode ser que o PSD suba a parada. Está aberta a licitação. Vai uma capitalização com dinheiro alheio, protegida em caso de corrida à banca, por um prazo de 18 anos? Quem dá mais? 200 euros uma, 200 euros duas...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Assim também eu

Mário Lino, um dos grandes empreendedores e empresários portugueses, não revelou completamente os contornos de um dos negócios que fez com o dinheiro dos outros:

(...) o Estado, através do Porto de Lisboa, terá de pagar à Liscont, empresa do grupo Mota-Engil que por ajuste directo explora a concessão, se o negócio desta correr mal.


Entretanto, o maior consórcio empresarial português (em que Lino também participa), chegou a acordo para a compra da seguradora COSEC.

A compra da COSEC permitirá aos anteriores detentores da empresa uma mais-valia superior a 7 milhões de euros.

Eu tenho por aqui uns activos que coloquei no mercado, bem mais pequenos (200 a 300 mil euros), mas que por sinal também se enquadrariam numa parceria do género.

Talvez seja por estar disponível para partilhar do ónus do risco, ou porventura por até dispensar quaisquer mais-valias, o que é certo é que os representantes deste consórcio não parecem nada interessados.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Frase da semana

Portugal atravessa um período de deflação. Hoje os keynesianos não almoçaram porque sabem que amanhã o almoço será mais barato. E assim sucessivamente.


Por João Miranda, in Blasfémias

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Confissões de um católico-romano

"Caritas in Veritate" ou, em tradução leiga "caridade em verdade", é um título espectável para uma encíclica mas cujo resumo disponível no público se encarrega de rapidamente atraiçoar.

Uma encíclica não é propriamente um post num blog qualquer, e o seu autor não é igualmente um autor qualquer. É pessoa informada, ou pelo menos com a obrigação de se informar, e é alegadamente, ou pelo menos deve aspirar a sê-lo, autor de inspiração. O que alguém como eu espera de um autor como Bento XVI é antecipação, liderança, inspiração. Ao proclamar a necessidade urgente duma "autoridade política mundial", Bento XVI emana conformismo, alinhamento e confirmação.

Os apelos, iniciativas e declarações tendentes à harmonização social desta ideia não são novos. Líderes políticos mundiais introduziram esta discussão em simultâneo com o cenário de uma nova divisa de reserva mundial, para substituir as ilusões criadas no último século e que inevitavelmente faliram. A marca do séc. XX foi uma "Caritas vis quod in infidus", que não foi mais que a primeira causa e argumento para a crise que agora vivemos.

Já é pena que Bento XVI não antecipe, não lidere nem inspire; pelo menos na matéria que mais interessa neste "momentum global". E lamento profundamente a auto-redução a um papel conformador, alinhante e sancionatório, perante soluções cujo resultado visa apenas a manutenção do "Status Quo" e duma "caridade forçada e em mentira".

Bem sei das boas intenções com que o documento é feito, e o carácter benigno que tal entidade deverá ter segundo o mesmo. Mas uma leitura á luz desses argumentos tem necessáriamente uma de duas falhas: erro de antecipação ou blasfémia.

Basta olhar para a situação em que estamos e analisar seriamente o percurso que fizémos ao longo do século passado para concluir que tais entidades nunca terão esse tal carácter benigno. É irracional pensar que a solução dum problema passa pelo reforço dos poderes de quem o provocou. Esta ideia só seria viável se a igreja já tivesse concluido a sua missão no mundo: a de evangelizar todos os homens. Nesse caso, e mesmo discordando moralmente da forma, era aceitável considerar que ela contribuísse para uma "Caridade em Verdade" ainda que pela via da força. Mas Bento XVI tem obrigação de saber que tal missão está longe de ser cumprida. Ao defender uma solução à luz deste príncipio estariamos perante um erro de antecipação.

Só resta a (quase) blasfémia. Uma solução deste género implica muita fé na bondade humana. Pior ainda, muita fé na bondade de homens com poder! Deus é Deus e os homens são isso mesmo: humanos. Não me parece que colocar os homens no papel de Deus seja uma intenção do chefe da Igreja Católica.

sábado, 4 de julho de 2009

Predadores ambientais

Hoje, no encerramento do forum novas fronteiras, José Socrates fez uma vez mais a apologia do omni-estado, afirmando que não se pode deixar ao mercado - ou seja às pessoas - as decisões de estratégia e planeamento das suas vidas e que Portugal precisa do estado e dessa estratégia que só o estado está em condições de dar.

Foi Sócrates mas poderia ter sido qualquer outro, de forma mais ou menos explícita e entusiasta. Há decadas, mesmo séculos, que chavões como justiça social, igualdade e protecção são apregoados pelo quadro socializante duma forma geral. Uns tendem para o social, outros para o empresarial mas, nas palavras exactas de Sócrates: "a intervenção protectora do estado" é defendida e apregoada por todos como aplicável desde aos mais carenciados, para uns, ou à familia para outros ou mesmo às PMEs para os que sobram. Exemplos não faltam para todos os gostos e correntes. Quem afirme o contrário é porque persiste em cerrar os olhos ao óbvio.

Mas o que me chamou à atenção hoje foram as palavras escritas por cima de Sócrates: "Alterações climáticas, desafio e oportunidade". A cada encontro que organizam, os predadores ganham cada vez mais o hábito de associar a economia ao ambiente. Esta associação, se feita de forma séria, nada tem de artificial. Mas nos moldes em que a fauna predatória a promove, é como se uma declaração de guerra fosse proferida ao som do Hino da Alegria e com uma foto de Gandhi em fundo.

A tal acção protectora apregoada, hoje por Sócrates mas ontem e amanhã por outro qualquer saqueador, é um dos factores que mais contribuem para os problemas que hoje nos afectam. É ela que mais ameaça a civilização e a sustentabilidade do planeta. Foram os recursos necessários para a criação do estado social que levaram à fundação do actual sistema financeiro, que consome tudo o que há através do saque aos que produzem e ainda o que não há através da emissão de dívida. Basta considerar o mercado da dívida (substâncialmente da dívida pública) como o maior mercado global e o verdadeiro "core" de todo o sistema, devidamente articulado e manipulado pela bicefalia governos/bancos centrais.

Não há melhor forma de equilibrar o consumo de qualquer recurso, natural ou outro, do que fazer reflectir no preço o seu real valor de mercado. Mas tal verdade não é nem será nunca compatível com a noção de bens ou serviços essenciais a que todos têm direito, inclusivé para os obter à custa dos outros.

Vejamos por exemplo a questão da água. Sem entrar em polémicas ambientais, aceitemos como principio a questão da escassez de água. Alguém pode afirmar racionalmente que o preço da água à boca das nossas torneiras reflecte minimamente o seu valor? E mesmo concedendo a considerar a água como um recurso natural "livre", alguém pode afirmar que o preço da mesma reflecte minimamente os custos com o tratamento, armazenamento e distribuição? E porque é que em vez de deixarmos a mão invisivel actuar e manter um equilibrio naturalmente racional, optamos por ter duas "manápulas" a saquear recursos: uma para sustentar um preço artificialmente baixo, e outra para promover campanhas para a poupança e o consumo moderado de água a que ninguém passa cartão?

Tal principio aplica-se igualmente ao já conhecido e falado défice tarifário da energia eléctrica. O erro é o mesmo e as bases igualmente idênticas. Mesmo defendendo que a água é um bem essencial à vida, qualquer pessoa deveria ser livre de construir um depósito para captar a água das chuvas ou simplesmente fazer a recolha directamente de um rio e tratá-la, sem que tivesse de pagar esse serviço a ninguém. Esse deveria ser um serviço de contratação livre e facultativa, regulado pelas leis de mercado. O avanço civilizacional pode ter proporcionado que hoje a água nos chegue a casa de forma muito confortável. Mas será mesmo um avanço civilizacional que eu tenha água confortávelmente e a baixo custo às expensas do trabalho, do esforço e da vida alheia?

Para o saqueador se apoderar do espólio do produtor, é conveniente uma certa estrutura social que lhe forneça o argumento da necessidade do pedinte. O argumento de que todos temos direitos naturais que vão para além da nossa vida, dando-nos direito a um pedaço da vida dos outros, é tudo quanto se torna necessário a tal estrutura. Esse é o argumento base do estado social que proliferou em todo o sec. XX e que enfrenta agora o seu "canto de cisne".

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Frase do dia

Em tempos de incerteza nos mercados, Manuel Pinho fez questão de mostrar que está do lado dos touros... Nós os contribuintes somos os ursos...


Pepi, In Caldeirão de Bolsa

Maior empresário português foi despedido

Manuel Pinho, o homem que nos últimos meses se mostrou incansável na sua acção produtiva e empreendedora foi despedido ou, se preferirem, despediu-se.

O despedimento veio na sequência deste desabafo, certamente em resposta à ingratidão da esquerda parlamentar.

Não se compreende tamanha ingratidão ao homem que, vindo do anonimato, mostrou capacidades de empreendedorismo e produtividade que ofuscaram completamente homens como Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos e, atrever-me-ia mesmo a dizer, Bill Gates.

O homem que meteu a mão em tudo o que era empresa em dificuldade e que se fartou de investir para salvar a economia e postos de trabalho, merecia mais consideração.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A escola, o negócio e o bobo

Na passada sexta-feira foi a festa de final de ano na escola da minha filha. A bem dizer na escola dos meus filhos, uma vez que andam os dois no mesmo agrupamento mas, por um lado porque o mais velho não preparou qualquer actuação e por outro porque a mais nova era finalista do Jardim de Infância, familiarmente a festa acabou por ser um pouco por causa da pequenita e do seu diploma.

Aquelas festas habituais em que os miúdos nos mostram as suas habilidades e em que eles, nós e as educadoras e/ou professoras andamos babados por um bom par de horas, deram lugar a mega festivais ao estilo "Super Bock, Super Rock" em que reina a confusão e ninguém se entende.

Quando a ideia surgiu neste agrupamento, há três anos, foi apresentada como uma festa da comunidade educativa e, de caminho, uma forma de angariar fundos para a compra de uma carrinha de apoio às actividades com os alunos. Adepto que sou duma forte relação escola-comunidade, aderi e apoiei a ideia desde a primeira hora. A par de outros pais e encarregados de educação, por várias vezes tentei participar e ajudar no que fosse necessário mas, por qualquer estranha razão, a ajuda parecia não ser necessária nem benvinda.

Chegado o dia desse primeiro "arraial" percebi porquê: garantida que estava a mão-de-obra e como a ideia era que se gastasse lá a guita, a ajuda e envolvimento da comunidade eram consideradas um desvio à planificação estratégica e ao marketing. Os "profs" serviam a malta e a relação escola-comunidade ficava de lado mas ainda assim safava-se a festa dos mais pequenos e a carrinha... que lá se comprou depois do "arraial" do ano passado.

Este ano foi o 3º "arraial" e já nada tem de festa escolar. Mesmo sem carrinhas para comprar, o apelo do dinheiro fala tão alto que, por este andar, o financiamento do Ministério da Educação para esta escola poderá brevemente ser dispensável. Feita apenas à custa do esforço dos professores num quadro de mão-de-obra gratuita, quase escrava, recrutada quiçá sob que pretextos ou coações e engalanada com pomposos discursos e "mimos" entre a edilidade e a directoria, a festa fica envolta num binómio presa-predador onde uns brilham e colhem os méritos do trabalho arrancado aos outros. Não se vê envolvimento algum da comunidade à excepção do consumo a que são obrigados e incentivados: desde um bilhete de entrada exigido também aos alunos que actuam e aos professores que trabalham, ao folclore dos artistas convidados que põem e dispõem do programa para maximizar o negócio.

Entre as presas e os predadores ficam os que, como eu, se sentiram uns bobos a tentar vislumbrar as actuações dos seus filhos e a festa da escola. Um esquema multi-palcos que juntou à confusão dum "Super Bock, Super Rock" a dispersão dum "Rock in Rio" serve o propósito de relegar as crianças, que pelos vistos incomodavam a festa, para a "porta dos fundos" ou, como ouvi referirem, para a "festa dos pobres" onde só elas e as respectivas famílias podiam ver e ouvir, e ainda assim mal, aquilo que mais importava.

Talvez por isto o mais velho, já no 2º ano, não tenha preparado nada para apresentar. Eu sei que, se porventura fosse o seu professor, não o faria passar por isso. Valeu que a pequenita ainda não se apercebe destas coisas. Para o ano, se cá estivesse, pedia o diploma por via postal. Ainda bem que não vou estar. Para bobo já bastou duas vezes: ter acreditado numa boa ideia original que foi brutalmente desvirtuada e ter assistido ao repasto predatório.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pobres, Fracos, Estúpidos e Vigaristas

O estado decide, conclui, declara o que somos ou o que não somos, e até se dá ao luxo de sancionar, desde que a "taxa de sancionamento" seja devidamente paga.

Está estabelecido que os pobres (assim declarados por édito estatal) não podem ter filhos e, se os tiverem, estes ser-lhes-ão retirados sem apelo nem agravo. Foi o que aconteceu à mãe do Martim, declarada "sem recursos" segundo os critérios estatais, a quem roubaram o filho em plena maternidade.

Declarou-se ainda que os menores de 18 anos não se podem manifestar. A mesma mãe a quem foi roubado um filho foi agora, sob forte coação estatal, impedida de lutar pela recuperação da criança. Valeu-lhe a solidariedade da sua mãe e avó da criança.

Também aos menores, a participação em determinados espectáculos está condicionada à prévia aprovação estatal. Assim aconteceu com Michelito Lagravere que cometeu 2 erros: ter recorrido a um pediatra em vez de um médico do trabalho (neste país até o trabalho fica doente e a precisar de médico!), e não ter decidido antes participar numa novela portuguesa. Não consta que as CPCJ's deste país tenham igual índice de produtividade na execução do seu efectivo mandato: a prevenção de crimes contra as crianças e a protecção e defesa efectiva das mesmas.

Atesta-se ainda, através dos títulares do monopolio representativo estatal, que todo o eleitor é estúpido e, por consequência, não consegue distinguir entre legislativas e autárquicas. Todos os partidos, à excepção do PSD, defendem eleições em separado (PS, PCP, BE, CDS e os melancias - verdes por fora mas vermelhos por dentro). Mesmo a honrosa excepção do PSD se perde num discurso pouco claro e diluído. Provavelmente a medida tende a evitar que aconteça com os subsidios partidários o mesmo que aconteceu com os fundos europeus que não foram utilizados: convém gastar o produto do saque antes que este gere as típicas invejas portuguesas.

Ainda houve tempo para estabelecer a declaração do contibuinte como vigarista até prova em contrário, invertendo o ónus da prova para o que foi e vier a ser estabelecido de "enriquecimento ilícito"; e espoliando a vida, o património e a privacidade de cada um. Como ainda não foi re-declarado o dicionário de Português, ilícito significa ilegal. O ilegal não se taxa, confisca-se! Mas como além de declarar o estado também sanciona, temos agora um novo tipo de vigarista que, sócio do estado, goza de um enquadramento legal previlegiado.

E assim foram os Portugueses declarados por quem os governa. Um triste dia para viver em Portugal. Pior hoje, só mesmo viver em Portugal e ser Benfiquista. No Benfica esteve quase e, apesar de não ter ainda acontecido, a mudança de paradigma ficou para breve. Infelizmente na governação não é espectável que o mesmo aconteça.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Relações Duradoiras

Ao contrário do que poderia fazer parecer com a recente lei do divórcio, este governo está empenhado em promover relações duradoiras. Em especial quando esse empenho se traduz em mais uma oportunidade para saciar o seu apetite pela propriedade alheia.

Agora são mais 35% em sede de IRC das indennizações a receber por gestores administradores e gerentes por cessação de funções. Em sede de IRC significa que quem paga não é o gerente mas a empresa.

Em cima da actual falta de liberdade de adaptação aos mercados e limitação da eficácia competitiva, esta medida irá certamente manter muitos gerentes e administradores nos seus postos independentemente da sua competência e dos resultados apresentados, numa lógica do accionista privado.

Na lógica do accionista estado, aquele que nomeia os gestores e administradores por critérios políticos, é mais uma forma de promover a incompetência e beneficiar o administrador que cessa funções. Afinal, quem paga é o contribuinte.

Se tem ou pensa vir a ter uma empresa, tenha cuidado: nomear um gerente ou administrador é, a prazo, estabelecer uma relação tão sólida como um casamento e quebrá-la custará bem mais caro que um divórcio.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Europeias: digestão ou congestão?

Uma digestão a 48 horas tem as suas vantagens. Depois da breve ventilação que aqui fiz houve oportunidade para novos desenvolvimentos virem a lume e muitas reacções e... meus amigos... houve de tudo. Nem sei por onde começar. Vamos por fases.


As "minhas europeias":

Talvez deva esclarecer que não votei. A começar por estar a mais de 250 Km da minha mesa de voto e acabar por concluir que o esforço da deslocação exigiria um retorno que não era expectável que obtivesse. Acaso o esforço a fazer e o retorno exigivél fossem menores teria ido à mesa de voto escolher entre branco, nulo ou... MPT. Não por uma qualquer simpatia para com o planeta, mas porque era a única forma de expressar algum apoio ao Libertas, o primeiro partido pan-europeu, nascido no rescaldo do referendo Irlandês. Desta forma tornei-me num abstencionista consciente: não tendo nada a receber em troca que se equivalesse ao sacrifício, não votei.


Os protagonistas:

Segui meio distraido as declarações da noite e, na forma, Paulo Rangel esteve melhor que Manuela Ferreira Leite, nada de extraordinário. Mais surpreendente foi o facto de Nuno Melo ter estado melhor que Portas a quem nem a emoção favoreceu. Quiça terá sido até prejudicial à imagem que o CDS e ele próprio preferem promover de homem e partido de estado: para funções de grande responsabilidade a fragilidade emocional ou a emotividade excessiva não são grande vantagem.

No conteúdo, Rangel tentou o que devia: condicionar as grandes decisões do governo para os próximos 3 meses. Os simpatizantes da oposição aplaudem, os do governo consideram sobranceria. Mas, lendo os resultados e extrapulando-os da mesma forma num espectro mais abrangente, Louçã fez a mesma coisa: avisou que com estes valores (e apesar de ser uma vitória eleitoral) o PSD não tem nenhuma garantia nem grande margem de manobra para exercer pressão política.

Se por um lado o PSD usa os resultados para sustentar a suspensão das grandes decisões de despesa do estado (não, não é investimento), então Louçã e Jerónimo de Sousa podem usá-los para exigir que o PS proiba desde já os despedimentos e nacionalize tudo e mais alguma coisa.

Mas podemos estar descansados porque todas estas declarações são fait-divers. Sócrates anunciou que se mantém no mesmo rumo portanto, vamos ter a despesa pública e, pelo menos por enquanto, nem a proibição dos despedimentos nem nacionalizações em massa irão avançar.


Os resultados:

Dos resultados salta à vista a abstenção. Nada de surpreendente porque se tratam de europeias e porque é assim mesmo. Se acham que a europa se faz contra os povos europeus, recusando referendar o projecto e, quando o fazem, anulando a vontade popular através de golpes administrativos, enganam-se. E enganam-se ainda mais se pensam que basta chamarem o Figo, a abelha maia e outros "Cíceros" e "Platões" da sociedade moderna para apelar ao voto. Seria curioso saber se o Figo e outros artistas, da bola e não só, estariam disponíveis para fazer campanha e apelos a referendar o Tratado de Lisboa? Será que consideram os referendos como particípação cívica?

Ainda sobre a abstenção, vale a pena fazer algumas contas: o partido mais votado obteve o voto de 9,5% dos portugueses, o segundo menos de 8% e os restantes partidos (todos juntos) menos de 9% (In: JN, por Manuel António Pina). Parabéns a todos... Afinal apenas o PS tinha perdido!!!

Para uns o PSD ganhou, para outros nem por isso; para todos o PS parece ter perdido e o BE parece ter ganho; a CDU para uns cresceu, para outros foi ultrapassada pelo BE; e o CDS ganhou às sondagens e resistiu para uns, para outros passou a 5ª força política. É só escolher o que se quer ver.

Eu constatei a eleição de 15 socialistas ou sociais-democratas, de 5 comunistas, mauistas ou trotskistas e 2 conservadores para representarem o meu país no PE. Com naturalidade, os eleitores tendem a escolher mais o original (BE e PCP) em deterimento da cópia embaraçada do estatismo paternalista do outro bloco (o central) e da ditadura da alternância (PS e PSD). Constatei também que os conservadores portugueses que votam CDS continuam residuais e os outros continuam complexados (preferem criar um PPV) ou enganados e desorientados na DA/BC (entre o PS e o PSD).

As reacções gerais e genéricas que fui vendo:

O jubilo foi grande para a esquerda saltitante em direção ao poder, e o alarme soou nos detentores clássicos do poder e dos seus apoiantes (tanto o PS como o PSD). As buzinas e os sinos tocam a rebate e, depois da entusiástica euforia da vitória, o nervosismo é tal que se vai ao ponto de propôr coisas como o PSD tornar-se num barco para liberais e conservadores ou o CDS virar um partido libertário. Isto tudo em três meses só pode dar na versão portuguesa do Titanic ou num AirBus A330.

Na prática apenas mudaram as moscas. Substituir o socialismo pela social-democracia é o mesmo que trocar o Ben-u-ron pelo Brufen e os potenciais libertários (afinal conservadores) acabam de resuscitar a censura.

Há uma solução que não é execuível em três meses e que provavelmente só será possível depois dos resultados das próximas legislativas. Já aludi a alguns aspectos dessa solução nos comentários que fiz nos posts acima linkados (para quem quiser ir ler). Como este post já vai longo e o assunto até merece mais atenção, fica para a próxima.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Portugal é isto?

Chamados a compôr uma delegação política de 22 representantes em Bruxelas, os portugueses escolheram:

15 Socialistas ou pró-socialistas;
5 Comunistas ou pró-comunistas;
2 Conservadores.

Hoje também vi o filme "o último samurai" em que a certa altura perguntam ao capitão Algren (desempenhado por Tom Cruise) porque razão é que ele odiava tanto o seu próprio povo.

Amanhã logo faço a digestão...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Frase da semana

Com o MEP, a inovação chegou à política. Ideias inovadoras para aumentar a despesa pública. Um bom partido para que os desiludidos do PS e do PSD possam continuar a votar no mesmo de sempre.


In Basfemias, por João Miranda

O meu contributo

Via Inflaccionista aqui deixo pouco mais de um minuto de video:

terça-feira, 5 de maio de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

O futuro está mais claro

Hoje fui atingido pela emoção como há algum tempo não me acontecia. Ainda que apenas uns, infelizmente ainda muito poucos, podemos afirmar que lentamente as novas gerações começam a questionar as decisões da governação. Quem disse que a crise não trazia também coisas boas? Coisas muito boas, digo eu?

Realizou-se ontem a sessão deste ano do Parlamento dos Jovens, com a presença, claro, da Sr.ª Ministra da Instrução - ups, perdão, da Educação!

Na bagagem levavam perguntas efectivamente relevantes que infelizmente nenhum dos deputados (230!) foi capaz de colocar por altura das respectivas discussões de cada um dos assuntos. Se este dado não é revelador da qualidade da casta política em Portugal não sei o que será.

Mas afinal que perguntas fizeram estes pequenos mas VERDADEIROS REPRESENTANTES dos cidadãos?

Sobre o provedor de justiça:

Tendo em conta que o actual provedor de justiça já está quase há um ano à espera de ser substituido, não seria melhor alterar na constituição o método de escolha deste orgão, por exemplo, passando a ser o presidente da república a nomeá-lo?


Sobre o BPN:

Qual é o objectivo de nacionalização do banco privado BPN, após o buraco financeiro que ele próprio criou?


Sobre o sistema eleitoral para a Assembleia da República:

Os senhores deputados acham que representam as pessoas do vosso distrito que os elegeram? A quem é que estas pessoas vão tirar satisfações quando nem sequer sabem quem escolheram para as defender? Não acham melhor que os circulos eleitorais sejam uninominais?


Sobre a crise e a gestão de recursos do estado:

Numa altura em que vivemos num periodo de crise em que a poupança é cada vez mais indispensável, não faria mais sentido juntar pelo menos duas das três eleições a decorrer este ano?


(...)Se precisamos de um grupo de pessoas que, à semelhança de Oliveira Salazar, consigam recuperar a economia em Portugal e que tenham o mesmo tipo de capacidade de gestão financeira que Oliveira Salazar.


Mas descansem as almas porque, ficámos a saber, a senhora Ministra fez questão de demonstrar aos "pequenos" que estava muito preocupada com... o que eles comem ao almoço!!!

Que pena tenho que estes jovens não se possam eles candidatar... Em vez de políticos gastos e inúteis que assobiam para o lado sem pudor, mesmo quando lhes descobrem a careca. Aparentemente não houve uma - sim, nem uma - resposta digna de figurar na reportagem.

Não acreditam? Oiçam vocês mesmos:

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Triste regresso

Já não se pode ter uma pausa. Regresso da Páscoa com a terrível sensação que levei ainda mais reforçada: já não tenho paciência nem alma para ver televisão ou ler jornais. Especialmente noticias! Safa-se a rádio ao volante, saltitando por entre a Antena 1, Renascença, RFM (para uma boa musica) e raras escapadinhas pela TSF e RCP (cada vez mais raras na TSF).

Ainda na área dos mass media, safam-se os canais especializados por cabo como o Canal de História e o National Geographic ou o AXN e a FOX Live, com séries de qualidade, ou o Blommberg e a CNBC para informação realmente essencial, estes ultimos vistos através da internet e nem tanto pelo único aparelho de TV que tenho em casa (na sala). Acresce que, estes ultimos, se podem subscrever na internet por temas, datas ou da forma que melhor se desejar. Tal como os jornais digitais, é uma forma perfeita de selcionar o que se recebe por email e que depois se vê ou não consoante a vontade individual.

Safam-se também os jogos da Champions e os do Benfica. Os primeiros pela qualidade do espectáculo de que sou fã, os segundos por um qualquer tique irracional de auto-flagelação.

Mas quem se safa mesmo bem são os emergentes self media, cada vez mais uma aposta de futuro, também chamados por "on demand". Aqui as regras são outras e o poder do emissor é contrabalançado com a interactividade do receptor. Já não temos de aturar tudo o que nos impingem, ou comer tudo o que nos servem. Podemos buscar efectivamente o que nos interessa e ignorar o que serve interesses alheios.

E para quem pense que rádio ao volante ou telejornais na TV são semelhantes, existe uma diferença que, no meu caso, é abismal: a solidão. Ao telejornal assiste-se com companhia, e a condução diária é feita em solidão. Sozinho, é muito mais fácil digerir as alarvidades e disparates que se ouvem sem entrar num enrredo de comentários que só nos desgastam. As notícias políticas ouvidas no rádio ao volante são hilariantes. É perfeitamente claro que os senhores doutoures trocam piropos entre si, numa espiral de acção/reacção bilateral que se alheia dos interesses e preocupações de quem ouve. Não foi uma nem duas vezes que dei por mim a sorrir sabendo, como sei e conheço, que é um triste espectáculo que se poderia fazer por telemóvel, uma vez que todos se conhecem muito bem. Em televisão, com a família ao lado a assistir ao telejornal, a tentação do comentário jocoso é grande. No carro, o sorriso é suficiente e tranquilizante.

De facto, já não tenho pachorra para mais do que aquilo que quero e escolho. Como afirma o Prof. Francisco Rui Cádima "(...)o que a lógica dos self media e a interactividade evidenciam é sobretudo a crise das estratégias de encenação do actual campo mediático, que insiste de modo insuportável no discurso da actualidade trágica e no pequeno mundo da política e do fait-divers(...)".

Fica o conselho: selecione com cuidado o que vê, ouve e lê. Como uma campanha publicitária recentemente fez notar: o que PENSA, começa aí mesmo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Uma verdade inconveniente

Através de um comentário n' O Insurgente, descobri o blog A outra Varinha Mágica (de Nuno Nogueira Santos). Foi de um post de Nuno Nogueira Santos que retirei esta verdade inconveniente que acenta perfeitamente no que n' O Pão e a Razão temos tentado transmitir:

se há fontes de quem devemos sempre desconfiar são as oficiais, sejam governamentais, sejam as da Justiça. Essas foram as fontes que sistematicamente mentiram no Wattergate e essas são as que mais têm comprovadamente mentido na história recente dos países democráticos.


Ainda por Nuno Nogueira Santos, no mesmo post:

fez ontem cinco anos que o Governo espanhol garantiu a pés juntos ter sido a ETA a responsável pelos ataques de Madrid, sabendo perfeitamente haver todas as razões para acreditar que não tinha sido. Faz amanhã cinco anos que o El País desmentiu o Primeiro-Ministro. Como disse a propósito Cebrián: “não nos passava pela cabeça que um Primeiro-Ministro fosse uma má fonte e, por isso, publicámos uma mentira. Mas a partir de agora, temos que desconfiar sempre da palavra de um Primeiro-Ministro, antes de a usar como fonte”.


"Não nos passava pela cabeça que um primeiro-ministro fosse uma má fonte"? Mas que IRRACIONALIDADE é esta? Então a noção de conflito de interesses é algo desconhecido para um suposto jornalista?

Relembro que uma das principais características do Homem, enquanto ser racional, deverá ser a obrigação moral de nada deixar acima do juizo da sua própria mente. É uma condição essencial para garantir e manter a condição humana.

Eu diria que bastava ter um pouco de formação sociológica e histórica para chegar à conclusão de Cebrián e que ter sido necessário chegar a certo ponto é mais uma demonstração da verdadeira sociedade contra-natura em que vivemos e que aqui tentamos denunciar.

É meu!

Ao que parece, os Magalhães andam a ser vendidos pelos proprietários. O Ministério da Educação afirma que não tem conhecimento.

Eu pergunto: e se tivesse? Que é que fazia? Então um proprietário já não pode dispôr da propriedade como deseja? Então é proprietário de quê?

Se não queriam dar não dessem, até porque ninguém pediu. Se deram, está dado. Metam a viola no saco e acabou.

Ainda a exemplo do Magalhães, devo dizer que sempre fui e continuo a ser contra a dádiva gratuita. Mas não vá o Ministério sondar o meu IP e a escola do meu filho que não é preciso pois afirmo já aqui e agora que sim, requisitamos um.

Os pequenos Magalhães estão há venda por 350,oo em qualquer loja da especialidade. No que respeita aos oferecidos nas escolas, foram pagos por todos nós, tanto por mim como pelo leitor.

Mas ao contrário de muitos leitores que não quiseram ou não puderam requerer um, eu obtive um produto cujo valor de mercado é 350.00 pagando apenas 50.00. Logo, ao contrário de quem não o fez, eu recuperei 300.00 do pagamento que me foi tirado à força.

Devo também acrescentar que vi-me forçado a fazer "reset" da dita máquina para os parâmentrros de fábrica assim que ela chegou. Então não é que o dito Magalhães não deixava criar "users" aleatórios e estava limitado a "Administrador" ou ao nome do meu filho?

Esta moda da propriedade condicionada e transformada em usufruto está a pegar. Enfim, com o "reset" lá conseguimos criar "usernames" para toda a familia. Sim, porque um portátil dirigido a uma criança de 8 anos é necessáriamente uma ferramenta para TODA A FAMÍLIA.

Um dia, se o quiser vender, reservo-me todo o ditreito de o fazer. Afinal o "bicho" ou é nosso ou não é. E se não for, que o venham buscar e me devolvam os 50.00 (acrescido de juros e indemenização por perdas e danos expectáveis).